As Palavras Fugiram: Contos de Quinta #08


Contos de Quinta, Triplice book!
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Hoje vou postar mais um conto da Era Heróica, do livro Os Confins da Terra. Este conto é da fase Grandes Heróis. É a continuação do conto da quinta passada, >Prelúdio à Missão de Guerra: O Espanhol
Boa leitura a todos!

Prelúdio à Missão de Guerra


O Árabe



Virada do ano do nosso Senhor de 1568 para o ano do nosso Senhor de 1569, Portugal, cidade de Eurico. Anoitecia. O governador da cidade de Eurico, Dom Paulo Barros Eurico, encontrava-se às imediações de sua cidade, prestes a terminar mais uma de suas jornadas, mas agora acompanhado de seu nobre amigo espanhol, Dom Antônio Carlos Esteves de Sevilha, um nobre oficial das forças armadas de seu país. Suas guardas pessoais guarneciam a eles e lhes proporcionavam a devida segurança ao retorno à cidade.
Eurico avistou a sua cidade ao longe, a maior cidade da Europa, cercada de seus imponentes muros. Esteves nunca deixava de esconder sua admiração pela cidade toda a vez que a via.
– Ela continua soberba! – exclamou Dom Esteves.
– E sempre me esforçarei para que continue assim. – complementou o governador.
– Quando encontraremos os nossos “amigos”? – continuou o espanhol. – Como o fará para encontrá-los?
– Os mantenho sob vigilância, sem levantar suspeitas. – respondeu Eurico. – O seu alvo não é a primeira vez que visita esta cidade, assim como aquele que o persegue, porém nunca se encontraram, por isso nunca o abordamos.
Esteves sorriu.
– Até quando espera ter essa sorte?
– Não conto com ela. – disse enquanto fitava um cavaleiro da guarda de sua cidade partindo dos muros em sua direção.
O cavaleiro aproximou-se rapidamente.
– Governador, – disse o cavaleiro. – soldado de campanha Fonte se apresentando, senhor. Trago-lhe uma mensagem.
– Prossiga. – respondeu o governador.
– O estrangeiro está prestes a encontrar o homem que procura, Raed.
Eurico abaixou a cabeça.
– Isso não é bom.
– Raed?
– Raed é a missão dada por seu rei, ou “era”. Por que o homem que o perseguia, Abd El-Ramahn, está prestes a encontrá-lo. Homens! Intercepte-os! Não quero nenhuma desordem em minha cidade!

***

A placa da taverna deixava claro o nome do lugar: “Leão Vermelho”, seguido da imagem do brasão de um leão, normalmente utilizada em escudos da era medieval, época de origem dessa taverna tão tradicional. Dentro dela, seguia-se as bebedeiras e festejos do fim de um dia.
Abd El-Ramahn observava a taverna pelo lado de fora. “Ele matou o guerreiro de Damasco”, pensava. O árabe avançava em direção à porta de entrada. “Isso não pode ficar assim”, concluía.
Dentro da Taverna
Raed sorvia mais um gole de sua bebida.
– Traga-me mais. – dizia com aquele sotaque extrangeiro.
O taverneiro o observou.
– Só espero que esteja inteiro o suficiente quando terminar, homem. – comentou. – Já vi muitos viajantes passarem por essas paragens, mas nunca um que preferia se embebedar durante as suas jornadas.
– Estou cansado de fugir. – respondeu sem que o taverneiro entendesse. – Então, o melhor que posso fazer é sentar e esperar que o inevitável aconteça. Mas acredito que não poderei atender às suas expectativas quanto ao fato de terminar o que vim fazer ainda “inteiro”.
Foi quando alguém colocou a mão em seu ombro.
– Vamos ter uma conversinha, Raed. – era Abd El-Ramahn.
O antigo Paxá de Damasco não expressou nenhuma surpresa ao ver aquele que o perseguia às suas costas.
– O que você está bebendo, Raed? – continuou Abd. – Alguma coisa para lhe dar coragem?
O antigo Paxá manteve-se em silêncio.
– São os covardes ou os valentes que se calam perante a morte? – continuou Abd.
Raed nada respondeu. Abd o agarrou pela roupa.
– Já para fora, seu monte de estrume!
– Abd, – tentou argumentar Raed. – por Alá! Deixe-me explicar o que aconteceu!
– Eu mandei ir para fora, seu verme! – disse enquanto jogava o antigo Paxá para a rua, este caiu cambaleando de costas.
– Você achou que tirando a vida do Califa iria resolver os seus problemas? Você achou que ninguém iria descobrir? – disse jogando contra a parede de um das casas que formavam a rua. – Você acreditou que enganeria todo mundo? Vamos ver você encarando alguém que sabe quem você é! Quero ver você tentar me matar!
– Abd, – insistia Raed. – por favor, estou envergonhado do que fiz! Pedi perdão a Alá e espero todo dia que alcance a sua clemência!
Abd o golpeou na boca do estômago.
– Guerreiro, – disse Raed ainda sem ar. – pare!
Recebeu outro soco em sua face, sangue foi arremessado com decisão.
– Saque a sua espada! – gritou Abd. – Dê-me algo que tenha chance de revidar!
– Está louco? Somos dois estrangeiros em terras potencialmente inimigas! Se chamarmos a atenção, seremos, no mínimo, presos ou escravizados!
Outro soco cortou a face de Raed.
– Ótimo!
Abd começou a espancá-lo com fervor, todos à volta se espantaram.
– Agora, – disse Abd segurando o homem pela boca. – saque a sua espada antes que eu o faça engolir os seus dentes, seu canalha medíocre!
Raed sacou a sua espada em um único golpe, cortando o peito de Abd.
– Assim está bom o bastante para ti, seu verme?
Abd rapidamente sacou a sua espada, ignorando o ferimento e sem pronunciar uma única palavra.
– O que foi? Calei a sua boca? – continuou Raed. – Qual o seu problema? Mudou de ideia?
Abd abriu um sorriso.
– Está brincando? – disse golpeando Raed na altura da face com a sua lâmina sarracena, o sangue espargiu-se pelo ar, jogando-o pelo chão.
– Seu desgraçado! – gritou Raed. – Quem você pensa que é para achar que pode me agredir? Tentar tirar a minha vida? Eu vou matar você!
Abd novamente o golpeou, dessa vez na altura do braço que não segurava a espada, em seguida cortando-lhe o peito e a barriga.
– Eu vou arrancar a sua cabeça! – gritou Raed enquanto atacava.
Abd esquivou-se, dessa vez decepando a mão de seu adversário, arrancando-lhe a espada.
– Não, – concluiu o Abd El-Ramahn. – você não vai!
O golpe seguinte foi na altura do pescoço, decapitando-o, o corpo de Raed caiu inerte por terra. Abd virou-se para o corpo do assino de seu mestre e assim permaneceu.
A população à sua volta mostrava-se apavorada. Lentamente, guardas da cidade foram se aproximando.
– Abd El-Ramahn, – era um dos oficiais da guarda. – você tem sido observado por meses e temos ordens para que não toque um único dedo seja lá quem quer que esteja perseguindo.
Foi quando fitou o corpo no chão.
– Meu Deus...
– Justiça foi feita nestas terras, – disse Abd. – ainda que tardiamente. Agora retornarei para assumir o califado que me espera.
– Não! – disse uma nova voz, era Dom Eurico, acompanhado de Dom Esteves. – Você não vai! Está preso por retirar a vida de uma pessoa dentro dos limites de minha cidade!
Abd virou-se lentamente.
– Os seus homens acabaram de afirmar que tenho sido observado há meses, então por que esperaram que eu cumprisse o meu objetivo? Ele era um criminoso e pagou a sua penitência. Se pretende impedir-me de cumprir o meu objetivo terão que fazê-lo à força.
– Você não tem o direito sobre a vida e a morte, árabe! – retrucou o nobre. – E não pense que suas atitudes não tiveram consequências! Você irá pagar pelo que fez por bem ou por mal.
– Não sou mais tão jovem para ficar escutando essas asneiras...
– Aneiras ou não, ordeno que baixe a sua espada!
– E se eu não quiser fazê-lo?
– Então, não terei outra escolha, a não ser cumprir a sua pena capital em frente a todos aqui presentes.
Abd sorriu.
– Parafraseando o que acabou de me colocar: “você não tem direito sobre a vida e a morte”! Se acredita que estará fazendo justiça retirando minha vida, saiba que está se utilizando da msma balança que lancei mão à pouco! Não cometi nenhum ato vil, o que tornaria o seu mais digno que o meu?
Eurico posicionou a sua arma, a guarda preparou-se.
– Ele está certo! – disse, para o espanto de todos, o nobre espanhol. – Minha missão era caçar o homem que agora está morto nesta rua, era um criminoso, havia matado pessoas em Madrid. Este árabe poupou-me um grande serviço e não era ele a quem eu dirigia a minha preocupação.
– Mas ainda desrespeitou a minha cidade.
– Deixe-o em minha custódia, não irá se arrepender...
O árabe olhou para o espanhol e para o português, entendendo a linha de raciocínio de ambos.
– Está bem. – disse baixando a sua espada sarracena. – Eu me entregarei por desrespeitar as leis locais.
Eurico manteve-se quieto.
– Deixe-o comigo. – suplicou Dom Esteves.
O governador então desfez a posição de defesa.
– Está bem. – disse.
O espanhol aproximou-se do árabe.
– Peço apenas que embainhe a sua espada. – solicitou Esteves, para espanto do árabe.
– Não irá retirála de mim?
– Você não é um homem perigoso.
– Assim você me surpreende. – observou Eurico dirigindo-se a Esteves. – Ele é de sua responsabilidade dentro dos muros dessa cidade. O que vier acontecer por causa dele, será imputdo a ti.
– Não há problema. – respondeu.
– Então, vamos descansar. – concluiu o governador.
A guarda de Eurico recolheu as suas armas, o tempo passou devagar sem que ninguém se movesse.
– Podem abaixar as armas. – disse Eurico para espanto do árabe.
– Mas todos estão com as suas armas recolhidas.
– Nem todos. – observou Esteves.
Da sombra, lentamente, veio surgindo a silhueta de uma mulher com aspectos completamente distintos ao que o árabe já havia visto, parecia possuir os traços da descendência dos povos do extremo oriente. Atrás dela, dois homens de espadas em punho surgiram, estes transpareciam características de europeus, mas ambos carregavam espadas de origens diferentes às armas comuns na Europa ou na Península Arábica.
Eurico sorriu.
– Quero apresentar-lhe Sir Gregory Wright, sua esposa Lien e seu amigo Sir Ray Stephen.



E ai galera gostaram da continuação? Semana que vem continua!
Contos de quinta é um espaço para divulgação de contos, poesias, textos em geral de blogueiros e escritores, (talvez um dia eu publique um conto meu, quem sabe? rsrs), Se você quiser ver seu texto publicado aqui é só me contatar por email clicando aqui ou enviando um email direto para aspalavrasfugiram@hotmail.com

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