As Palavras Fugiram: Contos de Quinta #12

Oie pessoal, bem vindo a mais um contos de quinta!
Hoje o conto é a continuação de First Date, da autora Patrícia Gomes,de Belém. Então, vamos ao conto?

First Date #04


Sacrifícios?!? Não havia como eu perder mais do que havia perdido em todos esses meses e eu já não queria mais saber de uma garota que jamais poderia conhecer e sendo assim muito menos ama-la, quando eu levantei a cabeça para lançar um olhar raivoso para a cigana percebi que seus olhos estavam ligeiramente fora de foco, eu esperei que ela voltasse a si e quando isso não aconteceu comecei a me preocupar com ela.
Eu não queria que ninguém, absolutamente ninguém soubesse que tinha vido ver uma cigana mas também não poderia deixar um ser humano morrer em minha frente, ela era uma cigana mas mesmo assim era uma pessoa, enquanto lutava internamente se deveria chamar alguem para examina-la, ela respirou fundo, puxando todo o ar que poderia para os pulmões, foi tão de repente que eu me assustei.
Ela balançava a cabeça como se tentasse voltar para a realidade, e ficou me encarando com um olhar que não pude entender e me surpreendeu mais ainda quando eu vi seu sorriso satisfeito, ela se levantou e começou a revirar em sua estante e me trouxe um pedaço de papel.
– Anote nesse papel o que eu irei lhe dizer – eu peguei o papel de sua mão e retirei uma caneta de dentro de um de meus bolsos.
– Pode dizer.- disse à ela
– Procure Joseph Martinez, ele mora em algum lugar ao sul daqui– ela disse enquanto andava de um lado para o outro.
– Por que eu tenho que ir procura-lo ? - ela parou de andar e foi em minha direção irritada e olhou bem dentro dos meus olhos.
– Você quer encontra-la, certo? -
– Quero, mas é impo.... -
– Procure esse homem e diga que quer conhecer Helena – ela disse me interrompendo.
– Essa Helena é a tal garota? - eu perguntei confuso.
– Não, Helena é a pessoa que poderá te ajudar a encontrar a garota mas e você decidir procura-la, deve partir abandonando tudo que tem para trás; família, amigos, riquezas... talvez esse seja o único remédio para sua dor – ela me disse enquanto a irritação sumia de sua face.
Se existisse remédio para a dor que eu sentia, eu o queria tanto quanto queria que a mulher que eu amava me amasse também.
Fiquei pensando no que a cigana disse, eu duvidava que amaria por qualquer outra mulher, mas se eu fosse pelo menos curado já seria o bastante, eu não precisava me apaixonar pela garota, só precisava que ela me curasse, eu sabia que era um pensamento egoísta mas e daí? Ninguém se importou como eu me sentia.
– Irei procura-la – eu disse para a cigana.
– Que bom que você se decidiu - disse ela com um sorriso majestoso e foi colocar seu baralho novamente no baú.
– Quanto lhe devo, cigana? - eu disse.
– Margarida, meu nome é Margarida e eu pretendo sair dessa cidade mais rápido possível. - disse ela encostada na estante.
– Ainda não entendi o quanto lhe devo. - eu lhe disse um pouco gentil.
– Quero que você me dê cobertura para sair dessa cidade. - aquilo não era um pedido tão difícil, na verdade era até pouco para uma pessoa como eu.
– Te ajudarei. - disse por fim.
Enquanto estava me dirigindo para fora da barraca percebi que ela queria me ajudar e só me cobrou para que eu não me sentisse ofendido mas se essa era a sua intenção, ela deveria saber que não funcionou.
– Por que queres me ajudar? Não preciso que ninguém tenha pena de mim - perguntei irritado.
– Não faço nada por pena, Tales – ela me disse tão irritada como eu estava.
– Então, por que? - perguntei ainda com raiva.
Ela respirou fundo e deu de ombros e encarou a parede da barraca.
– Eu sei como você se sente – ela disse e quando ela voltou a me olhar percebeu que eu a olhava com um olhar surpreso e incrédulo.
– Eu realmente entendo – disse ela com um expressão triste, eu pude ver o reflexo de sua dor estampado em sua face e pude de certa forma me reconhecer ali.
Percebi que ela não diria nada mais, então me dirigi para fora da tenda. Dentro de mim tinham idéias conflitantes pois ela não parecia nada com que eu havia ouvido sobre os ciganos, ela não parecia uma ladra, nem uma destruidora de lares.
– Você tem certeza que é cigana? - perguntei à ela
– Claro! – ela respondeu orgulhosa – Por que pergunta? Por acaso você não pretende me entregar para o governo, certo? - ela me perguntou estreitando os até que parecessem fendas.
– Não, claro que não – eu teria rido se não tivesse destruído por dentro - só mais uma pergunta.
– A vontade – ela respondeu dando de ombros
– Quem vai ser o próximo Rei da França? - eu lhe perguntei e ela gargalhou e me fez “não” com o dedo indicador.
– Isso, eu não direi – ela parou de rir e seus olhos estavam serenos me fitando.
– Ângela – ela simplesmente disse.
– Como?- perguntei
– é o nome da garota.- ela me disse enquanto eu saia da tenda
Quando eu já estava fora da tenda caminhando em meio a chuva que decidiu cair bem neste momento sussurrei para mim mesmo.
– Ângela. - e senti esperança depois de muito tempo.



Continua...


E aí, o que acharam?
Contos de quinta é um espaço para divulgação de contos, poesias, textos em geral de blogueiros e escritores, (talvez um dia eu publique um conto meu, quem sabe? rsrs), Se você quiser ver seu texto publicado aqui é só me contatar por email clicando aqui ou enviando um email direto para aspalavrasfugiram@hotmail.com

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