As Palavras Fugiram: Entrevista: Adriana Vargas

Adriana Vargas escreve desde os sete anos de idade e teve participações com menções honrosas em diversos concursos literários. É autora de romances sobrenaturais: O oitavo pecado, O voo da estirpe, O segredo de Eva, Vozes do Silêncio, Túnel do Tempo, Lilith, meu amor da escuridão e Inocence. Coordenadora do Clube dos Novos Autores, agente Literária, assessora da Editora Modo e Studio, ganhou o prêmio INTERARTE 2012 com seu romance O Oitavo Pecado. No ano de 2000 entrou para a Academia de Direito pela Universidade UCDB, sendo uma das alunas mais aplicadas do curso. Apaixonada por leitura filosófica, e procurava por obras de autores como Platão e Hanna Arendt. Encantou-se com os Iluministas e as histórias das antigas civilizações. Participou de projetos sociais no incentivo às cooperativas em comunidades carentes. Adriana desenvolveu um estilo literário ímpar, seus livros são marcados por singularidade e inovação linguística. A escritora encabeça a lista de traços inéditos à literatura nacional. Seus livros possuem o dom de nascerem viscerantes – em pouco tempo o leitor torna-se íntimo de suas personagens, criadas com o afã de cavar no fundo do âmago o sentimento capaz de dominar, jogar os leitores entre as suas palavras, em uma entrega não somente infinita, mas de profundidade. Este é o modo como vive e se relaciona com a vida.



Sempre gostou de escrever ou é um talento descoberto recentemente?

Sempre gostei. O caderninho velho, surrado e a caneta eram coisas que eu não me esquecia de levar por onde fosse. Além de escrever os sentimentos, uma prática que eu era acostumada fazer em diários, eu também representava os personagens em bonecas, posters de artistas, animais de estimação... Tudo era cenário de criação.


O que a levou a tomar a decisão de escrever um livro? Como surgiu a ideia para o tema?
Não surgiu uma ideia, como disse, isso sempre foi algo natural em minha vida. Como era uma criança quieta, reservada, isolada do mundo, eu nunca estava em inatividade, por mais que isso aparentasse, estava criando o tempo todo, mesmo em pensamento. Quando aprendi a ler e escrever, passei para o papel minhas histórias.


O que mais a inspirou?
Filmes, imagens, músicas; um amor do passado, um amigo, alguém que não gosto tanto; um clip, algum sujeito diferente do resto do mundo. Tenho aptidão em gostar de coisas e pessoas estranhas, diferentes, bizarras... Gosto de descobrir sentimentos e nomes para eles, então, quando encontro essas matérias primas, certamente nascerá um livro.


Fale um pouquinho sobre o seus livros :)
Bem, hoje posso dizer que estou no caminho de formar meu miniacervo, então, já tenho alguns títulos. Começarei dizendo sobre o que mais me causa angústia... (digo, angústia, porque este é um sentimento excelente para escrever um livro que dará bom resultado) Lilith, meu amor da escuridão: Um romance gótico, sempre quis misturar a dor com a escuridão, o terror, e coisas ocultas. Este é um livro que preciso escolher horas apropriadas para escrevê-lo, pois as sensações são as mais loucas possíveis, chegando a ser físicas, então... preciso de cautela, sem dizer que amo terror, mas morro de medo de dormir depois e começar a me gerar paranoias, talvez seja por isso que gosto tanto. Estou lançando Vozes do Silêncio, um livro que embora tenha uma carinha de fofo, não é tanto assim, apesar de um romance puro e pacato entre as chamas de uma guerra fria, com jovens sendo torturados e mortos pela ditadura, meio a pacto de sangue e magia negra. Bem, por aí já deu para sentir a pegada da obra não? E ainda mais quando tudo parece estar sendo conduzido a um amor... incestuoso... Túnel do tempo está pronto, apenas aguardando uma oportunidade de lançá-lo, um livro polêmico que irá despertar sensações das mais variadas, pois a trama abordará o períodos quase-morte durante um coma, e a regressão a linda e glamourosa época dos anos loucos em Paris, 1920. Este livro é o volume dois de O voo da Estirpe. Para finalizar, estou escrevendo Vitrine de Papel, uma trama 100% brasileira, que mostrará a realidade nua e crua do mundo editorial brasileiro, as bizarrices neste nincho, a mentira, o preconceito e a hipocrisia do mundo virtual, sem dizer que tudo isso ocorrerá entre a fantasia e a realidade com a descoberta de um diário secreto, e a escrita de um livro que salvará alguém da morte.


Foi necessária muita pesquisa para desenvolver seus livros?
Sim. Eu não consigo me sentir segura escrevendo sobre uma trama em Paris, sem nunca ter vivido lá. O que me resta? Pesquisar, conhecer a cidade, os costumes, os lugares, ver fotos, ler depoimentos, entrar em sites de turismo que me levam até esta cidade através de matérias e curiosidades. Sem pesquisa, não adianta eu saber escrever, preciso transmitir ao leitor, segurança sobre os assuntos abordados.


Dos personagens que você criou, qual seu favorito?
Clarice, sempre Clarice. Por quê? Porque ela é louca, ousada, corajosa, solta, livre, espontânea, diferente. Eu queria ter um pouco dela em mim.


Como foi o processo de publicação dos seus livros? E qual foi o maior obstáculo para essas publicações?
Foi algo como qualquer outro livro a ser publicado. Quando cansei de puxar o saco de editoras, agentes literários, etc, e passei a ser eu mesma, consegui encontrar uma forma de publicar minhas obras. Digo hoje que nenhum autor precisa de uma editora para se dar bem, basta apenas ter ousadia, disposição e criatividade. Editoras nacionais não apoiam seus autores. São criadas para valorizar a grana, e como brasileiro não tem grana, são deixados de canto.


Quais os seus autores favoritos?
Rubens Conedera, e há pouco descobri a escrita de Robson Gundim, apaixonei-me também. Adoro quando homens escrevem sobre sentimentos, a expressão que usam para tanto, retira o estereótipo que a sociedade me fez acreditar um dia, sobre uma literatura preconceituosa. Adoro hoje, encontrar homens que escrevem para todos os públicos, e não somente para seu gênero. Esses autores me encantaram com a sensibilidade e os valores que se utilizaram para escrever. E o mais importante, são brasileiros; nasceram e se formaram em uma sociedade separatista, machista, onde homem escreve para homem e mulher para mulher, eles vieram e quebraram esta barreira, por isso recebem meus aplausos.


O que acha dos blogs e sites literários?
Acho que os blogs hoje são nossos cúmplices. Acho que a amizade que fazem com o autor nacional e sua obra é algo que há tempos eu sentia necessidade de ver acontecer. Não sei dizer dos outros blogs, pois quando comecei, eram poucos os que queriam ler meus livros. Muitos me trataram mal, fui escorraçada, e até, humilhada, pois não sabia a diferença de um blog que veste a camisa, e um blog grande que quer apenas ibope para alimentar o ego de seu criador. Então caiu a ficha que o blog que realmente corre junto do autor é aquele que a ele é inerente – novo autor, novo blog – estão no começo do sonho; irão se aliar... E eu me juntei a essa galera. Quis crescer com eles e ignorei os blogs que tinham muitos seguidores e queriam apenas me esnobar. Para mim, os blogs que andam ao meu lado e ao lado do novo autor são os dignos de estarem no pódio recebendo os louros da vitória. Eu valorizo meus parceiros, quero para eles, o que quero para mim. Não sei como os outros autores trabalham aí fora, eu somente sei que encontramos aquilo que vamos buscar, e eu quis cumplicidade, e encontrei.


O que é fundamental para escrever um livro? Dê um conselho aos futuros autores ;)
Ser você mesmo. Escrever sobre o que conhece e não sobre o que pensa que irá vender. Aliás, o mais ridículo que vejo por aí, são escritores confundindo a escrita com profissão, com o capitalismo... Estão querendo transformar tudo em ouro, dólar... Eu tenho medo disso. Existem valores que são inegociáveis. Não podemos vender a alma por nada nesta vida. Escrever é algo divino. Se você precisa vender para que seu livro chegue a um número maior de leitores, é algo legal, sim, quem não quer? Mas se você é capaz de se submeter a coisas inacreditáveis para conseguir isso, então... está na hora de começar a rever a arte da ganância. Um bom autor escreve com intenção de se esvaziar. Ele não cria um livro para se encaixar no mercado. Ele ama um livro, ama seus personagens, ele salva sua vida, seu dia através dessas criaturas que irão fazer o mesmo com os leitores. Retorno financeiro é consequência de um trabalho de amor. A fama não altera os sentimentos dos personagens. O momento da criação é imaterial, jamais poderá ser movido por uma massa capitalista, nojenta, crua, sem sentimentos. Eu troco um milhão de leitores por uma dúzia que irão se identificar com as coisas que escrevo, pois quando isso acontecer estarei muito feliz neste momento, realizarei o sonho da escritora dentro de mim – encontrei meu público, pouco, pequeno e fiel, como os amigos.



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