As Palavras Fugiram: Contos de Quinta #29


Hoje o conto é da Mariana T. Spezani, do blog Letras e Livros. Para ver mais contos basta acessar o blog dela :)


Ler e Gostar de Aprender



A senhora Fátima, sempre muito fática, foi a encarregada de ligar para fazer as reservas. A Metáfora já havia dito-lhe que, para seu jantar de aniversário, precisaria de quilômetros de mesas, não queria que nenhum amigo ficasse de fora.
Sua irmã, a Comparação (que, diga-se de passagem, nunca iria conseguir ter o mesmo estilo da metáfora) sugeriu que mesas de madeira preta como óleo ficariam mais elegantes. Pleonasmo, seu pai, riu e disse:
- Você deveria parar de falar calando a boca, menina! O aniversário é da minha filha, sua irmã. Ela que decide.
Metáfora riu e foi ao shopping comprar alguns substantivos abstratos para compor seu estilo, sempre muito elogiado, para seu jantar do dia seguinte.
E então, eis o grande dia! Sinestesia, a primeira a chegar, já foi dizendo que podia ver o saboroso cheiro da comida. Sempre gulosa! O Assíndeto, preencheu seus espaços vazios com elogios seguidos, parecia deslumbrado:
- Mas esse salão é lindo, aconchegante, chique, refinado, de muito bom gosto! Meus parabéns, querida metáfora! Muitos anos de vida, felicidades, bênçãos, saúde, amigos, sucesso, dinheiro, amor....
Paradoxo que, àquela manhã, havia adiantado seu relógio para chegar na hora certa, foi o último a chegar. Metonímia, já sentada à mesa, nuca perdia uma piada e já foi logo gozando da roupa do coitado:
- Lá vem a cartola pomposa!
Paradoxo logo ficou envergonhado, tirou e guardou a cartola que usava. Também tentou deixar seu smoking um pouco menos formal, sem muito sucesso. Antítese quis defender o irmão mas, sempre muito intelectual e discreta, o fez sem expressar sons ou gestos.
Servido o jantar foi primeiro para a já idosa Anástrofe, sempre em seu estilo clássico e confuso, sentada à ponta da mesa. Tia Hipérbole, sempre muito escandalosa e querendo ser notada, quis fazer graça:
- Fiquei a semana toda sem comer por causa desse jantar. Hoje só paro de comer quando explodir!
Onomatopéia, por outro lado, mal falava, apenas expressava sua apreciação pela comida com alguns "Huuuum" intercalados com as garfadas.
Prosopopéia - personificação, para os íntimos - sempre muito enjoada para comer, brincava com a comida, formava rostos humanos em seu prato.
Assíndeto, em sua nova dieta, apenas podia dar-se ao luxo de comer conectivos. Já o Polissíndeto dizia que conectivos lhe causavam enjoo, vomitava todos eles, sempre. Anáfora comia peixe, presunto, palmito, paio, pimenta e panqueca com um vinho do porto para acompanhar. De sobremesa, atacou o pudim.
Findo o jantar, Metáfora, como boa anfitriã, quis dizer algumas poucas palavras:
- Meus queridos amigos, tê-los aqui fez de minha noite uma ensolarada alegria!
Bateram palmas e despediram-se. Uns pegaram carona nas mentes de jovens escritores. Outros, cansados, prefiriram descansar em um bom livro.



E aí, o que acharam?
Contos de quinta é um espaço para divulgação de contos, poesias, textos em geral de blogueiros e escritores, (talvez um dia eu publique um conto meu, quem sabe? rsrs), Se você quiser ver seu texto publicado aqui é só me contatar por email clicando aqui ou enviando um email direto para aspalavrasfugiram@hotmail.com

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